sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

METÁFORAS MALPASSADAS

As minhas mãos já estão calejadas
De tanto carregarem o cajado que atalha
As minhas palavras transviadas.

O meu cajado se encontra rachado
De tanto bater nos meus pensamentos
Duros feitos meu coração cromado.

O meu coração fora sodado
Depois de ser partido em mil pedaços
Por um soldado mascarado.

As minhas máscaras foram retiradas
Depois de aparecerem os arlequins
Atuando com palavras retalhadas.

Mãos, cajado, coração, máscaras, soldado...
Se o mundo comesse metáforas malpassadas,
A fome, aqui, seria um problema solucionado.

CONTRA A CORRENTE

Nem cabeça nem calda, nem princípio nem fim, nem Alfa nem Ômega, nem nada do tipo assim. Quero ser apenas o intervalo, nada mais que o intervalo, de dois lados extremamente opostos.

RIMAS

Queria fazer uma poesia de rimas simples que falasse do amor e da covardia. Mas rimas simples, para sentimentos tão complexos como esses, estão tão escassas nesses dias...

AMADURECIMENTO

Para Andressa Santos, minha leitora e amiga.

Hoje estive pensando e cheguei à conclusão de que não é tristeza toda essa tristeza que sinto; eu próprio não sou triste, sou melancólico, e de melancolia eu entendo.
Não é melancolia toda essa melancolia que tenho por dentro: é amadurecimento, mesmo, amadurecimento profundo, do tipo raro, raríssimo, quase do tipo único, escasso, só meu..., meu e de pessoas como eu.

CASCAS DE SONHOS

Em toda cabeça humana há um ninho de sonhos, repleto de ovos intatos e fecundos, que fora abandonado.

ALÔ

Agora a pouco eu acabei de te ligar. Você não disse nada além de um vago e condicionado “alô”. Mas confesso que fiquei contente: eu precisava apenas do teu silêncio, teu silêncio e nada mais.

QUEBRA-CABEÇA

Já sei quais são as peças que se encaixam e as que jamais se encaixarão, mas ainda não é à hora certa de montar o quebra-cabeça... Por enquanto, pelo menos por enquanto, a mera observação já me satisfaz.