Olha, eu quero te dizer que eu acabei de fazer o que você vem tanto me pedindo de uns tempos para cá, agora a pouco eu tomei coragem e pus um ponto final naquela nossa história que mal começou – desses, iguais aos das dissertações acadêmicas, simples e conclusivo. Contudo, eis a problemática, o diacho do ponto sofre de transtorno dissociativo de identidade, e tem insistido em se apresentar como um ponto de reticências constituído por ele e mais dois pontos invisíveis. Que se há de fazer agora, hein? Sujeitá-lo à hipnose, instropecção, terapias ou algo do tipo? Eu também não sei, não, meu bem. Sei, porém, que já fiz a minha parte, o meu dever era colocar o ponto final, não era? Pois bem..., olhe ele aí, olhe:...
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
terça-feira, 18 de outubro de 2011
INCONSCIENTE
Antes de você, uma palavra.
Não. Acho que um poema,
Bem pequeno, sim, mas belo.
Com você foi um conto,
Não de fadas, admito,
Embora mágico.
Depois de você..., veio...
Tão triste dizer assim “depois você”!
Mas..., ah..., vou falar!
Depois de você..., hum..., deixe-me pensar:
O que ficou mesmo depois de você?
Também não sei ao certo,
Mas além deste panléxico de emoções
Tatuado sob o meu peito,
Deve ter restado mais alguma coisa,
Mas o que, hein? O quê?
sábado, 15 de outubro de 2011
O SEGREDO DA INOCÊNCIA
Faz de conta que hoje não é um dia qualquer e que agora iremos fazer uma pequena viagem rumo a algum lugar.
Faz de conta que as palavras aqui presentes são passaportes mágicos e que os ônibus que pegamos diariamente são carruagens reais, e a quantidade enorme de pessoas banais que nos espremem são princesas, príncipes e sapos encantados.
Faz de conta que os moradores de ruas são cobradores de impostos romanos e que as esmolas que lhes damos são pequenas pepitas de ouro escavadas na mina do coração.
Faz de conta que em cada um de nós há um pouquinho de Freud, que clinicamos em paupérrimos orfanatos e que temos a consciência de que as perguntas desconcertantes das criancinhas são inerentes a um roteiro invisível escrito em seus inconscientes.
Faz de conta que o construtivismo não existe, que a nossa educação não está sendo destruída, que as nossas crianças estão sendo alfabetizadas, que os professores não são super-heróis e que os pedagogos são pessoas normais – e não alienígenas polivalentes.
Faz de conta que o bebê e o boi não babam, que Eva e Ivo não viram a uva e que o lúdico na educação infantil é inundar a sala de aula com uma Tsunami literária.
Faz de conta que as nuvens brancas são feitas de algodão-doce e que as negras são de brigadeiro, e quando Deus chora – ai que delícia! –, são pequenos flocos de chocolate que caem do céu.
Faz de conta que tudo o que fica não é passageiro, que os sonhos não são insolúveis e que as lembranças com cheiro de risos, beijos e taquicardias não se dissolverão quando a eternidade chegar ao fim.
Faz de conta que o tempo é um corcel preso em uma ampulheta blindada, que os seus cascos não estão sangrando devido às inúteis tentativas de fuga e que as vibrações dos seus relinchos não se propagam no exterior do seu recinto.
Faz de conta que todo faz de conta não é uma esquiva comportamentalista da imaginação humana, e faz de conta também que o capitalismo não existe, que você não é apenas um mero número no mundo e que as instituições privadas de ensino não são míseras empresas.
Faz de conta que todas as pessoas são felizes, que as psicoses não estão mais em alta, que a bola da vez é o amor ao próximo e que a temporada de caça aos arco-íris está terminantemente proibida – SANTO FAZ DE CONTA!
Faz de conta que a corrupção entrara em extinção, que as fogueiras da Santa Inquisição nunca existiram, que há décadas não escutamos os clamores dos que têm fome e que já não mais fabricamos produtos bélicos.
Faz de conta que o segredo do código genético se encontra na fantasia do faz de conta e que a vida é um faz de conta com direito a “era uma vez”, “espelho, espelho meu” e “felizes para sempre...”.
Faz de conta que tudo na vida é um faz de conta, e que é só fazer de conta que tudo realmente acontece...
quarta-feira, 27 de julho de 2011
AO SOM DE PÁSSAROS
Hoje de manhã, mais bem de manhãzinha mesmo, quase pela madrugada, Deus acordou com o som de vários pássaros.
Devo admitir, antes de tudo, antes mesmo de você pensar em chamar as minhas palavras de heresias, que Deus não dorme.
Sim, Deus não dorme nunca. Mas, de vez em quando, Ele sonha, sabia? Todos nós sonhamos... E por que Deus também não haveria de sonhar?
Pois bem..., hoje pela manhã, bem de manhãzinha, Deus acordou do seu sonho divino com sons de pássaros assustados. Apesar de Deus ser um Ser que não se surpreende com nada, hoje Ele se surpreendeu com o estanho mistério dos cantos que ouvia.
Como já disse, eram vários cantos, muitos mesmos, muitíssimos, e o mais surpreendente de tudo isso era que esses sons não vinham de várias aves, e sim de um único passarinho, passarinho esse chamado Tidinho.
Tidinho estava confuso quando chegou hoje pela manhã ao céu. Você sabe, não é todo dia que a gente pode voar – mesmo sendo um pássaro –, veja lá acordar O Senhor dos pássaros e de todo o universo do seu sonho matinal.
Mas O Senhor dos pássaros não brigou com o pássaro multíssono como alguns haveriam de esperar, aliás, Deus não briga com ninguém que ousa atravessar essa fronteira invisível entre o sonho divino e a realidade humana, pelo contrário, Ele fica tão feliz quando alguém vai visitá-lo que dá a máxima atenção possível, principalmente quando esse alguém tem espírito de passarinho e chega cantando.
Você quer saber como foi que esse pássaro, que acordou Deus hoje pela manhã, voou? É prudente de sua parte querer saber, pois bem..., vou lhe contar.
Não pense que foi um voo qualquer feito o voo de aves comuns e de máquinas voantes criadas pelo homem. Não, não foi. Também não foi como o voo de Ícaro, com asas artificiais feitas de cera e penas para escapar do labirinto do Minotauro. Não, também não foi. Foi um voo narcisístico, é sério, acredite!
Hoje de manhã, antes de chegar ao céu e acordar aqu’Ele que não dorme, Tidinho estava nas margens de um pequeno lago, igualmente a Narciso, e de repente: plum..., caiu na água e levantou voo feito uma águia.
Foi assim, foi bem assim que aconteceu, e nesse sonho molhado ele bateu asas, e voou e voou, e voou ainda mais, bem mais do que possamos imaginar, e depois de tanto voar, ele chegou ao céu.
Gente, Deus ficou tão feliz com a chegada desse passarinho varzeapocense que levantou do seu trono, sentou-se no chão, cruzou as pernas em posição de fazer ioga e pediu que ele cantasse. E ele cantou, e quando parava de cantar, Deus dizia:
– Vai, Tidinho, agora canta o canto do sabiá.
E ele ia e cantava, e após findar o canto, Deus, mais uma vez, dizia:
– Agora a perdiz, Tidinho, por favor, imite a perdiz.
E rodeado de anjos e seres celestes, Tidinho ia e imitava. Depois foi a vez do “passo-preto”, do canarinho, bem-te-vi, assanhaço, cardial e também alguns mamíferos.
Deus e os anjos estão tão contentes, mais tão contentes, que é possível ouvir as galhadas vindas do céu.
Em minha mente agora há uma frase impregnada: minha terra tem palmeiras onde cantava um sabiá...
Edvaldo dos Reis Oliveira Filho
27 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Nossa esperança é verde
Estamos felizes, Marina! E o motivo da nossa felicidade corresponde aos nossos 19%.
Os nossos 19% nada mais é do que a nossa vitória diante de uma pequena derrota que nos fará vencedores amanhã.
Estamos muito felizes, Marina!
Os nossos 19% correspondem a 19% de eleitores conscientes da importância de um progresso sustentável. Já não basta mais “Ordem e Progresso”, queremos também respeito ao meio ambiente, respeito à saúde pública, educação, comida na mesa (se bem que nem é preciso mais mesa, já nos acostumamos ao chão) e arte. Não queremos apenas uma bolsa (seja ela do PROUNI, seja bolsa família): queremos também esperança.
Mas os nossos 19% correspondem também a isso, Marina! Correspondem a uma parte da população que grita de forma democrática e silenciosa o quanto é importante lutar por um Brasil mais brasileiro. E o nosso grito não acaba aqui: daqui a mais quatro anos tem mais, e jamais desistiremos de lutar, porque é lutando que se a aprende a força dos nossos braços.
Estamos com você, Marina!
Estamos com o Brasil, mas será que ele está conosco?
Meu “achismo” acha que sim, embora saibamos que é preciso recuperá-lo das mãos sujas que insistem em camuflar-se na beleza das estrelas.
Se no passado a estrela teve pique de tentar três vezes antes de se eleger, com certeza a nossa perseverança tentará quatro, cinco, seis...
Nossa esperança é verde, Marina! Nossa esperança será eternamente verde até o dia em que resolvermos amadurecê-la, e quando esse dia chegar, nós mostraremos a importância das cores da nossa bandeira, pois a maior parte dela é como nós: VERDE.Ado Reis
domingo, 29 de agosto de 2010
Sim, sou um rei
Um rei será sempre um rei,
Não porque ele sonha em ser,
Mas porque acredita que pode.
Não precisa de grandeza para ser grande;
Não é necessário impérios para imperar;
Não é de suma importância possuir castelos,
Mas é preciso ter a audácia de erguer um
Com as pedras que são atiradas ao longo do dia.
É tão bom levantar um castelo com as nossas próprias mãos!
É tão gratificante transformar as críticas em elogios!
É tão maravilhoso olhar nos olhos de quem nos critica
E ver que não passam de bobos da corte!
Um verdadeiro rei é aquele que sabe ensinar verdadeiros ensinamentos
E que sabe aprender com o aprendizado dos aprendizes.
É tão inexplicável ser rei,
Mas as pessoas sempre buscam explicações para tudo,
Vai ver que é por isso que se decepcionam com tudo,
Pois nem tudo precisa de uma explicação.
Se todos pudessem ser reis de si mesmo
Seriam não apenas reis, mas escravos alforriados.
Há quem me julguem louco, idiota e ridículo,
Mas eu não sou o que pensam nem o que falam,
Sou o que eu acredito ser!
Sou aquele que carrega a coroa, não somente sobre cabeça,
Mas também dentro do coração
(Porque mãe não se leva em qualquer lugar).
Apesar das explicações que nada explicam,
Tenho três certezas:
Dentro do meu coração há a coroa que me dá forças para lutar,
Acima de mim há o céu
E acima do céu há um Rei que deu a sua vida por me amar.
Sim, sou um rei sem reinado reinando no reino dos sonhos.
Sim, sou eu mesmo: não apenas o Edvaldo dos Reis,
Mas o pequeno grande rei.
Não porque ele sonha em ser,
Mas porque acredita que pode.
Não precisa de grandeza para ser grande;
Não é necessário impérios para imperar;
Não é de suma importância possuir castelos,
Mas é preciso ter a audácia de erguer um
Com as pedras que são atiradas ao longo do dia.
É tão bom levantar um castelo com as nossas próprias mãos!
É tão gratificante transformar as críticas em elogios!
É tão maravilhoso olhar nos olhos de quem nos critica
E ver que não passam de bobos da corte!
Um verdadeiro rei é aquele que sabe ensinar verdadeiros ensinamentos
E que sabe aprender com o aprendizado dos aprendizes.
É tão inexplicável ser rei,
Mas as pessoas sempre buscam explicações para tudo,
Vai ver que é por isso que se decepcionam com tudo,
Pois nem tudo precisa de uma explicação.
Se todos pudessem ser reis de si mesmo
Seriam não apenas reis, mas escravos alforriados.
Há quem me julguem louco, idiota e ridículo,
Mas eu não sou o que pensam nem o que falam,
Sou o que eu acredito ser!
Sou aquele que carrega a coroa, não somente sobre cabeça,
Mas também dentro do coração
(Porque mãe não se leva em qualquer lugar).
Apesar das explicações que nada explicam,
Tenho três certezas:
Dentro do meu coração há a coroa que me dá forças para lutar,
Acima de mim há o céu
E acima do céu há um Rei que deu a sua vida por me amar.
Sim, sou um rei sem reinado reinando no reino dos sonhos.
Sim, sou eu mesmo: não apenas o Edvaldo dos Reis,
Mas o pequeno grande rei.
Fui feliz...
À minha maninha, com muito amor.
Sei que fui feliz em um tempo que se foi, mas a minha felicidade não se fora em momento algum, porque eu é quem fui embora. E a minha felicidade continua lá, na mesma casinha, no mesmo lugar.
Às vezes ela chora quieta, sozinha, bem baixinho... Tão baixo que ninguém a escuta, mas eu sinto as suas lágrimas escorrerem por sua face e depois ela as enxuga e sorri novamente.
Acho que ela tem medo de alguém vê-la chorando, mas todo mundo pode chorar, inclusive a felicidade.
“Não temas as lágrimas”, foi o que as suas lágrimas me disseram no dia da minha partida. E hoje eu te digo o mesmo: “não temas as lágrimas, pois sem ela não existiria a felicidade nem o consolo”.
“Feliz de quem sabe chorar”, disse-me uma vez a Rosa que não chora. E agora eu sei que não são só as lágrimas que são sábias, mas o teu sorriso também, porque ele me ensinara não somente a sorrir, mas a chorar sorrindo.
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