Partamos da
palavra-geradora: HI-PO-CRI-SI-A.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
CHARADA
O que é, o que é? Considera-se uma coruja, mas não é ave; tem
nariz vermelho, mas não é palhaço; repete tudo o que escuta, mas não é
papagaio...
R: Um estudante de circo-pedagogia.
7 DE SETEMBRO
O povo do meu país apanha do sistema durante todo o ano, mas
há um dia, o Dia da Amnésia, em que, misteriosamente, esquece-se das taxas abusivas
dos impostos e da ditadura democrática neoliberal. E o povo, inocentemente, vai
ao centro das cidades para erguerem um pedaço de pano verde e amarelo de enaltecimento
à pátria, como se tal ato, milagrosamente, alterasse a inalterável realidade
social. NÃO ALTERA EM NADA!
Amanhã, quando tudo passar, os garis, ao varrerem a panfletagem
nacionalista das ruas, serão os primeiros a perceberem que tudo continua o
mesmo, que nada se alterou. E assim, tudo volta ao seu normal... E isso é tão
normal! Viva o Brasil!
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
SENTENÇA
Se é mesmo
verdade que o meio molda o homem, devo estar fadado a uma supérflua
intelectualidade.
AMÉM
Minha maior
alegria é saber que vou para o inferno por amar um homem e uma mulher. Isto é
tão confortante e tão previsível!
Parece que
no céu não se pode amar diferente; há um padrão, um manual, uma cartilha
bíblica a ser seguida à risca. Gosto de cartilhas e de organização, mas repudio
a autocastração.
Se é só no
inferno que se pode amar do modo que sinto, então, sinto muito mamãe, papai e sociedade, porque deve ser para lá que eu
vou...
FELICIDADE
Para mim a
felicidade só faz sentido se for coletiva: felicidade individual é egoísmo
camuflado.
GRITO
“Porque há o direito ao
grito. Então eu grito.”
Clarice Lispector
Eu não falo
para eu ser notado, eu falo é para eu não ser complacente. Em determinadas
ocasiões, mesmo que involuntário, o silêncio é braço direito da complacência.
Às vezes se
faz necessário bradar o nosso próprio grito, não o de independência, mas o de
liberdade.
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