Se é mesmo
verdade que o meio molda o homem, devo estar fadado a uma supérflua
intelectualidade.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
AMÉM
Minha maior
alegria é saber que vou para o inferno por amar um homem e uma mulher. Isto é
tão confortante e tão previsível!
Parece que
no céu não se pode amar diferente; há um padrão, um manual, uma cartilha
bíblica a ser seguida à risca. Gosto de cartilhas e de organização, mas repudio
a autocastração.
Se é só no
inferno que se pode amar do modo que sinto, então, sinto muito mamãe, papai e sociedade, porque deve ser para lá que eu
vou...
FELICIDADE
Para mim a
felicidade só faz sentido se for coletiva: felicidade individual é egoísmo
camuflado.
GRITO
“Porque há o direito ao
grito. Então eu grito.”
Clarice Lispector
Eu não falo
para eu ser notado, eu falo é para eu não ser complacente. Em determinadas
ocasiões, mesmo que involuntário, o silêncio é braço direito da complacência.
Às vezes se
faz necessário bradar o nosso próprio grito, não o de independência, mas o de
liberdade.
domingo, 26 de agosto de 2012
CORROMPENDO-ME
A hipocrisia
construtivista pode até corromper a minha escrita, mas jamais as minhas ideias
e a minha práxis.
Escrevo,
numa boa, o que os letrados da Magda querem ler, e minha escrita fica tão
hipócrita que eles acabam acreditando. Por que será, hein?
Minhas
palavras ferradas de fúria, por não ter recebido educação pública de qualidade,
jamais serão moldados por Ferreiro.
Psicogênese da Língua Escrita, Alfabetização e Letramento,
Reflexões
Sobre a Alfabetização, Alfabetizando Sem o bá-bé-bi-bó-bu:
literaturas shakespearianas? PREFIRO
SARAMAGO!
Meu léxico
pedagógico está sujeito a mutações, mas sempre haverá uma frase de Jorge Amado
pronta para escorregar da minha língua e ir em direção aos ouvidos dos
piagetianos.
Por hora me
calo, mas dentro de mim há quatro palavras, as quais já foram popularizadas
pelo povo brasileiro, e se um dia eu regressar à fase anal, mesmo que Freud não
explique, eu falo. Ah se falo...!
A ESCOLA DOS MEUS SONHOS
Eu sonho com
uma escola real, sem fantasias, slogans
e hipocrisia, na qual não se negligencie o conhecimento, e a informação, como
em uma espécie de recheio para bolo, seja apenas o complemento.
Eu sonho com
uma escola que leve a sério a alfabetização, que seja organizada e sistemática,
e que cada indivíduo, que a compõe, desempenhe sua verdadeira função.
Eu procuro
uma escola na qual ensinar e transmitir não seja sinônimo de ditadura, e os
processos de codificação e decodificação sejam entendidos como necessários a
uma eficiente formação.
Eu sonho com
uma escola na qual o boi possa naturalmente babar – e não ser condicionado a
cuspir. Um lugar onde Eva e Ivo possam finalmente verem as benditas uvas – e
não, apenas, “construírem conhecimento” a partir da realidade cultural e
socioeconômica local.
Eu sonho com
uma escola que adote métodos cientificamente comprovados como indispensáveis durante
a escolarização, e que o senso comum não assassine a didática nem a gramática,
um lugar onde dois mais dois será sempre quatro, na matemática.
Eu procuro
uma escola que respeite as diferenças sem as igualar, porque, a meu ver, isso não
é inclusão.
Eu quero
trabalhar em uma escola que seja verdadeiramente uma escola, e não uma
legolândia* de eternas cirandas.
Eu sonho com
o dia em que meus pés cruzarão os portões desta escola, e aí, sim, terei
orgulho de minha profissão, porque finalmente os projetos hão de sair dos papéis
– eternos cordéis.
Tentarei,
até o fim da minha vida, levar essa escola ao acesso de todos; tirá-la, à
força, das instâncias dos meus sonhos e trazê-la à realidade, verdade! E se
essa escola, da qual lhe falo agora, vier a ser rotulada de mecanicista ou
tradicional, eu não me importarei, porque mais mecânico é o discurso tradicional
de rotulação.
Construirei,
do modo como sei, a escola dos meus sonhos.
* Termo criado por minha amiga, Lisa Nobre Ledo, também
estudante de pedagogia e defensora do método fônico de alfabetização.
VALSA
Gosto de
olhar dentro dos olhos dos homens,
Bem lá
dentro,
Bem no
fundo,
Em uma
região que,
De tão
escura,
Chego a
chamar pela minha a mãe.
Mas é lá,
É lá que
estão
O bem e o
mal dançando valsa,
Juntos.
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